O garotinho, muito inteligente, adiciona aos problemas de visão citados pelo seu pai, ou professor, ou tio, um problema maior, condizente com o cenário político brasileiro: a raiva.
Lembrei-me de um filósofo chamado Immanuel Kant (1724-1804) e uma teoria interessante sobre os óculos com os quais enxergamos os mundos. Na filosofia kantiana, os óculos seriam premissas da forma como enxergamos o mundo. Estas premissas são frutos da razão, e nos ajudam a entender as nossas experiências de vida. A fórmula kantiana entrou de uma forma contundente no debate entre empíricos e racionalistas.
Acredito que Kant esteja correto. Não me aprofundei ainda neste filósofo, mas dada a situação atual, é preciso ir um pouco além.
Não somente a razão nos coloca óculos, mas também os sentimentos nos colocam eles.
Vejamos o cenário político atual do Brasil: petralhas X coxinhas.
Os dois grandes grupos que dividiram a política nacional estão se gladiando com tanta intensidade que é possível que com o atrito de seus átomos ocorra um novo Big-Bang.
Que óculos eles têm usado?
Antes de falar sobre os óculos que eles têm usado, quero esclarecer duas coisas:
1) Minha intenção aqui não é tomar partido, e sim refletir diante de minha consciência se tenho me imposto algum óculos que me impede enxergar a realidade e contribuir para um país melhor;2) O texto generaliza, mas qualquer pessoa com boas condições mentais pode dizer se está ou não usando esses óculos.
Prosseguindo: o óculos da paixão e o óculos do ódio.
Os petralhas tomaram sobre si os óculos da paixão. Não conseguem enxergar que, realmente, a Dilmãe não tem sido boa presidente. Os dois mandatos dela foram pífios. Parece que ela tão somente esquentou a cadeira para que o Papai-Lula pudesse voltar logo mais. Lembrando que o plano de governo petista é de trinta anos.
A paixão deles pelo lulo-petismo não os deixam enxergar que sim, a nomeação de Lula foi jogada política. Por mais que não haja uma prova clara da intenção da presidente (partindo sempre do pressuposto que todos são inocentes, até que se prove o contrário, que é o que a deixa livre de um crime de responsabilidade), outros áudios mostram que a intenção dos que estão em volta era uma só: foro privilegiado. Inegável que o ex-presidente pode (e tenho esperanças que vai, caso assuma o ministério) ajudar na resolução dos problemas políticos e econômicos do país, mas também não posso negar algo que está diante dos meus olhos: um dos motivos para o elevar a pasta da Casa Civil foi o foro.
Os coxinhas puseram sobre seus narizes o óculos do ódio. Não conseguem enxergar que Sergio Moro não é santo. Não existe isenção onde aquele homem exerce o magistrado. Ele tem um discurso muito bonito (Nem o príncipe está acima da lei), mas suas atitudes politicadas são referenciais do que não fazer com uma toga. Aliás, comparar Moro com Joaquim Mito Barbosa é piada... de mau gosto. Gosto de Joaquim porque seus pareceres são baseados na Constituição e não em sua vontade (ele que condenou o Mensalão do PT escreveu parecer contra o impeachment de Dilma, por exemplo). Moro e, por que não, Gilmar Mendes fizeram do judiciário um partido da oposição. Não é bem assim que a banda deve tocar.
Outra coisa que os ultra coxinhas não enxergam é que Bolsonaro de Messias só tem o nome. Mas sobre o Bolsonaro eu quero escrever depois. Só digo que o messianismo dele foi condenado por um ilustre prelado brasileiro.Fato é que, o óculos da paixão e do ódio têm impedido o nosso país de buscar soluções plausíveis para a crise em que nos encontramos. Retiremos os óculos que nos cegam e nos impedem de tomar um melhor caminho para o nosso Estado Democrático de Direito.
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